Mudanças no ensino médio para 2016

Olá gente!

Essa semana os sites de notícia lançaram as boas novas para o ensino médio do estado de São Paulo. O governo quer fazer algumas mudanças na grade curricular que, não vou negar, me deixam preocupada.

A noticia pode ser lida aqui.

Resumidamente, a notícia diz que no próximo ano a rede estadual de São Paulo irá testar um novo modelo de currículo escolar. A ideia é transformar a maior parte do curso em disciplinas optativas, onde os estudantes podem escolher o que vão estudar.

A mudança ocorrerá nos 2.º e 3.º anos, onde o estudante montará sua grade. No 1.º ano continua o currículo fechado, como já é hoje. O secretário da Educação de São Paulo, Herman Voorwald, fala da motivação para essa mudança pensando no protagonismo do aluno e aí eu gostaria de fazer uma observação.

Bem, ele diz em seu depoimento para a reportagem “Se ele odeia Matemática, pode optar por Artes, Idiomas”, ok, e será que meu aluno que odeia matemática está pronto, preparado, aos 15 anos para decidir se é bom ou não para sua vida ter as aulas de matemática?

Digo isso porque não vejo nossos alunos de escola pública realmente preparados para fazer esse tipo de escolha com consciência. Não escolher uma disciplina tão importante como a Matemática só porque ele odeia (ou tem preguiça de resolver os cálculos) não pode trazer dificuldades quando ele for fazer o ENEM e os vestibulares?

Se o ENEM é baseado em um currículo que contempla as disciplinas que temos hoje na grade, faz sentido dizer para meu aluno que ele pode optar por não cursá-las?

A minha preocupação é que nossos alunos não são hoje preparados para fazer esse tipo de escolha, é necessário fazer grandes mudanças na educação, tornar as aulas atrativas para que ai sim meu aluno tenha autonomia para escolher o que ele acha que é melhor para sua formação ou não, mas com o atual cenário da educação em São Paulo fica complicado. Como a aula de química vai ser interessante se não tenho laboratório na escola, não temos equipamentos para experiências, a sala está com mais de 40 alunos e o ventilador está quebrado? Desculpe, mas não da vontade nem de existir dentro de uma sala dessas, quanto mais estudar química.

A escola tem sido chata para o jovem? Sim! É claro! Mas a culpa é também do estado, que não oferece ambientes adequados para que possamos sair da rotina giz e lousa(minha escola não tem laboratório e a biblioteca está fechada por falta de funcionário), não oferece equipamentos que funcionem (a sala de informática eu nunca vi funcionar), deixa as salas superlotadas (as salas de ensino médio tem em média 40… 42 alunos), professores desvalorizados, com salários baixos e sem formação contínua. Agora, alguém vê a possibilidade de formar alunos autônomos em um ambiente assim? 2 ou 3 conseguem, mas a grande maioria vai passar por essa etapa sem conseguir compreender a importância de cada disciplina para sua formação. Como então irão escolher?

Temos muitos alunos lá na escola desmotivados, que já estão envolvidos com drogas e com o crime. Será que esse aluno está interessado em montar uma grade curricular interessante para estudar? Será que ele tem condições? Será que fará as melhores escolhas?

Eu não acho que a ideia seja ruim, mas com o cenário que temos hoje na educação eu não julgo viável uma mudança desse tipo. Aquele aluno que não gosta de estudar fará escolhas com mais aulas práticas, diferenciadas como música, educação física, arte e deixará de aprender conteúdos importantes de outras disciplinas, que com certeza farão falta mais adiante.

A única escola de tempo integral que conheço está vazia, os alunos do ensino médio não querem passar o dia na escola. O governo fala que está dando certo, mas quem vive essa realidade está vendo que não é bem isso.

Ficaria muito feliz em ver meus alunos podendo escolher o que mais gostam, mas com consciência dessas escolhas, mas não vejo um aluno de 15 anos com maturidade suficiente para escolher o que é melhor para sua educação.

Aos 17/18 quando saem do ensino médio eles saem cheios de dúvidas de qual profissão seguir, do que fazer da vida, o que é melhor para eles, aos 15 não preciso nem comentar que as dúvidas serão muito maiores né?

Além de tudo isso o que me preocupa é o saldo de aulas. Se tenho 5 salas de 2º ano e só 2 delas escolhem cursar química, o professor que antes tinha um saldo de 10 aulas vai passar a ter somente 4, como faremos com tantos professores na rede?
Esse ano fiquei adida (sem aulas livres para atribuir) e nem tínhamos esse “problema” ainda. Como os governantes irão fazer para a conta de saldo de aulas bater com a quantidade de professores efetivos da rede?

Dúvidas… Dúvidas….

O jeito é aguardar por novidades sobre o assunto. Por ora, apenas observamos e vamos refletindo para apurar se essa é de fato uma decisão boa para todos nós.

E você, o que pensa sobre isso?

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Kid President da seu recado para alunos e professores

O vídeo do Kid Presisent (do Soul Pancake) é de setembro de 2013, mas só o descobri agora.

Nesse vídeo, o garotinho manda um recado para professores e alunos, uma mensagem de incentivo aos estudos. E aí fui tocada, porque falou em professor, alunos e estudos, falou meu nome!

Adoro esses vídeos que incentivam o estudo, a leitura, incentivam as pessoas a serem melhores, maiores e que apoiam o trabalho do professor. AMO o que faço e te respondo Kid President, eu estou ensinando o mundo a ser melhor, estou ensinando as pessoas a acreditarem que podem ser melhores, estou incentivando a leitura, o conhecimento, o aprendizado, a transformação e vou continuar fazendo até o dia em que der o último suspiro de vida.

E ai, vamos ver o vídeo?

O vídeo original está nesse link e já tem mais de 5 milhões de visualizações.

Será que todos temos as mesmas chances?

Eu sempre fui defensora da ideia de que todos tem as mesmas chances, afinal todos podem estudar e crescer, porém com o tempo vamos estudante, amadurecendo e compreendendo melhor como a sociedade se move e percebemos que não é bem assim.

É a tal da meritocracia, que está presente em nossas vidas em todas as discussões sobre melhorar de vida e vencer. No governo do estado de São Paulo temos uma prova que se chama “Prova do mérito” que nada mais é que uma prova para aumentar o salário.

Bem, mas não é sobre ela que quero falar.

Quero falar sobre o quadrinho do ilustrador australiano Toby Morris, que criou o “On a Plate” (De Bandeja) que retrata 2 realidades completamente diferentes. De um lado o “playboy” do outro o “parça” da periferia (abrasileirando a coisa) rsrsrs. Bem é o rico e o pobre que nos remetem a uma reflexão sobre essa ideia de que todos podem  e tem chances iguais.

Então, se você pensa assim, como eu pensava, peço que dedique 1 minuto para ler esse quadrinho.

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Quem traduziu foi a galera do Catavento

E então, o que você pensa a respeito?

Essa é uma discussão que gera milhares de outras, e como sempre geram polêmica.

Eu, hoje, após estudar sociologia, compreender um pouco sobre essa sociedade, sobre a vida, entendo que não temos as mesmas chances não. Sou pobre, sempre lutei para ter as minhas coisas, mas comparar a minha vida e as minhas chances as de uma menina que estudou a vida toda em um dos melhores colégios de São Paulo, que passou as férias fora do país ao invés de Salto de Pirapora numa chácara brincando com barro, me desculpe, mas não da nem pra começar a comparar…

Todos nós podemos vencer? Sim!!! Nisso eu acredito, porque todos temos capacidade, mas as mesmas chances, as mesmas facilidades, isso só teremos quando estivermos em uma sociedade menos desigual.